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Causologia Hipotética de MedicinaLegal, de Abraham Sblowmski, ed. Ricochete - São João Nepomuceno,2005.
4°Capítulo – CRIMES PASSIONAIS
pg 232 - Victor Fuentes, 32, assassinou a namorada Claudiana Paz, 28, com 17 cabeçadas, desferindo o último e mais violento golpe contra a parede do quarto onde os dois corpos foram encontrados.
Vila Morenita, Paraguai, 25 de março de 2002. |
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Causologia Hipotética de MedicinaLegal, de Abraham Sblowmski, ed. Ricochete - São João Nepomuceno,2005.
4°Capítulo – CRIMES PASSIONAIS
pg 254 – Altamira Siciliano, 53, assassinou o esposo Reinaldo Siciliano, 64, com 229 tiros de revólver calibre 22. Foi ao mercado quatro vezes durante o delito, para comprar mais munição.
Itabira, Brasil, 17 de outubro de 2000.
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Causologia Hipotética de MedicinaLegal, de Abraham Sblowmski, ed. Ricochete - São João Nepomuceno,2005.
4°Capítulo – CRIMES PASSIONAIS
pg 266 - Clauss Huppert, 32, artista plástico vanguardista, manda pelo correio os rins, os testículos e um olho para mulher amada, Elizabeth Church, 23. O feito não configuraria um crime caso as nozes não pertencessem ao seu irmão, Etienne Huppert, 30, deficiente mental.
Slambrochóvia, Moldávia, 09 de maio de 2002.
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Causologia Hipotética de MedicinaLegal, de Abraham Sblowmski, ed. Ricochete - São João Nepomuceno,2005.
4°Capítulo – CRIMES PASSIONAIS
pg 240 - Leonard Frost, devido a certas suspeitas de promiscuidade da sua companheira Anne Bernadeth Frost, explode a zona de baixo meretrício de uma pequena cidade do Mississipi, dando fim a dois terços da população masculina do povoado. Posto em liberdade por falta de provas, dois meses depois do sucedido, suspeitando agora da existência de um clube secreto de lesbianismo entre as mulheres da cidadela, Leonard explode a casa da viúva Terence Stuart, que realizava um chá de bebê, exterminando dezenas de senhoras. Apenas 3 mulheres sobreviveram à tragédia, entre elas Anne.
Mais uma vez inocentado por falta de provas, o Sr. Frost foi finalmente pego, em flagrante, ao tentar armar uma terceira bomba na escolinha primária local. Confessou em detalhes os seus crimes. Suas palavras, ao ser encaminhado à penitenciária, foram: “-Ainda hei de soterrar o mundo todo e você há de me ser fiel, Bernadeth.”
Dizem ainda que, por seu conhecimento empírico com explosivos, recebeu o perdão do governo americano e trabalhou para a CIA ao lado de célebres nomes da ciência.
Anne, após alguns anos de desolação, amasiou-se com um diplomata e se mudou para o Japão. Viveu os últimos dias de sua vida breve em Hiroshima.
Mississipi, EUA, 03 de agosto de 1938.
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Causologia Hipotética de MedicinaLegal, de Abraham Sblowmski, ed. Ricochete - São João Nepomuceno,2005.
4°Capítulo – CRIMES PASSIONAIS
pg 239 - Jean-Pierre Latoux, 43, ocultou o cadáver de sua esposa Nicole Maurrast Latoux, 41, que veio a falecer de um ataque cardíaco fulminante durante o sono, por oito meses e vinte e um dias.
O Sr. Latoux levou dois dias para perceber que o estado inanimado de sua mulher - que vivia uma depressão aguda desde a ida de seu filho caçula à faculdade - era definitivo e não fruto do seu extremo desânimo, como sempre.
Durante os quase nove meses em gélida companhia, Latoux deu de comer, banhou, copulou, largou o trabalho para dedicar-se exclusivamente ao corpo. Deu a atenção que há anos não dispensava à esposa.
A situação foi descoberta no dia das bodas do casal.
Latoux organizou uma festa para trinta convidados, entre estes seus dois filhos ausentes, que se depararam, no dia em questão, com a ossada da mãe, devidamente polida, lustrada e vestida para a ocasião.
Latoux foi preso, acusado de ocultação de cadáver, não antes de furtar e engolir a rótula de sua mulher.
Enforcou-se na cadeia antes de Nicole ser finalmente enterrada, e de seu joelho ser definitivamente digerido pelo criminoso.
Tourneville, França, 27 de setembro de 1964.
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Causologia Hipotética de MedicinaLegal, de Abraham Sblowmski, ed. Ricochete - São João Nepomuceno,2005.
4°Capítulo – CRIMES PASSIONAIS
pg 234 – Philip Antonny West, 36 , passou toda a infância e juventude elaborando e executando provas de amor para Caroline Flambers, 35, que nunca se sensibilizou com seus esforços.
Caroline acabara de assinar o seu segundo divórcio quando Phillip bateu à sua porta com um buquê de rosas senegalezas do monte Burunbabundê – espécimes raríssimas, quase extintas...- , cuja colheita exigiu dois anos da vida do rapaz , que fora até o Senegal dias após a moça lhe dizer que eram suas flores prediletas. Foram anos repletos de desventuras, guerras civis, feras selvagens e lutas com tribos canibais.
Caroline ofereceu chá ao moço, mas antes da fervura, sem perceber a natureza das plantas com que fora presenteada, atendeu o telefonema de um suposto novo amor e despachou Phillip pra poder se arrumar para o encontro.
Na saída, na porta de casa, flores no chão, Phillip agarrou os pulsos da moça e mais uma vez implorou-lhe atenção. A resposta, mais uma vez, veio num suspiro e num desviar de olhos com tamanho descaso que Phillip viu seu peito escorrer por dentro da roupa, rolar a escadinha até a calçada, a rua, e ser atropelado pelo carro que passava por ali àquela hora.
- Caroline....me diz, Caroline....o que mais eu posso fazer por ti???O que mais eu posso fazer pra te provar que não há nada que eu não possa fazer pra te provar que eu te amo e que você devia me amar?
- Hmpf ...
...
Adoce o mar, Philip. Depois disso serei sua.
Qualquer ser humano razoavelmente provido de capacidade de interpretação entenderia que a mulher estava se desfazendo do rapaz sem a mínima compaixão, mas um homem como Phillip nunca reconheceria uma figura de linguagem em uma situação como essa.
Era o pé da letra.
Era o seu décimo segundo trabalho hercúleo.
Após alguns anos dedicados a profundos estudos oceanográficos, Phillip conseguiu converter todo a sal da Baia de Alferbeen em açúcar, causando um terrível desastre ecológico à região.
Serviço feito, raptou Caroline em sua casa e a levou para uma praia da baía, atirando-a contra as ondas antes que pudesse atender a um telefonema qualquer que lhe roubasse a atenção. Assustada, ao cair no mar revolto, provou o doce sabor que havia encomendado e morreu.
Phillip não pôde colher o espanto e a admiração de sua amada.
Caroline era diabética.
Ilhas Forwardden, África do sul, 4 de janeiro 1998.
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Causologia Hipotética de MedicinaLegal, de Abraham Sblowmski, ed. Ricochete - São João Nepomuceno,2005.
4°Capítulo – CRIMES PASSIONAIS
pg 229 - Annalice Fernández, 24, não era uma mulher muito bonita, nem muito esperta, nem muito interessante. Ouso até dizer que tinha uma beleza bastante medíocre e era um tanto estúpida e vulgar, mas era detentora das mais belas, fartas e rígidas nádegas que já repousaram em qualquer tipo de banco, cadeira ou balanço. Era bunda de compasso, de perfeição matemática, conhecida e cobiçada nos quatro cantos de Montevidéo.
Retinha toda a virtude de Annalice.
Sua bunda era tão maravilhosa que, reza a lenda, ao nascer, o doutor, ao ergue-la pelos tornozelos, negou-se a dar-lhe palmadas. Passou a mão trêmula pelas suas partes rosadas e foi direto da sala de operações para o xadrez..
Logo após completar 22 anos a moça casou-se com Afonso Ribbas, um famoso ex-jogador de rúgbi, na época técnico do melhor time da liga estudantil do país.
Um dia o time foi convidado por um colégio estrangeiro para uma partida amistosa em seu território. Afonso, que odiava deixar a esposa sozinha quando das suas viagens, levou Annalice junto com a comitiva.
Enquanto sobrevoavam a cadeia montanhosa dos Andes um problema técnico no avião em que viajavam forçou um pouso de emergência em meio a imensidão de nada e neve. Afonso entrou em coma quando da Bruta aterrissagem. Os que ali não morreram sofreram meses de fome no deserto gelado.
Annalice figurava entre estes, que passaram a se alimentar dos glúteos (regiões altamente calóricas do corpo humano) dos mortos enquanto o socorro não vinha........até que se serviram de todos os cadáveres.....chuparam até o último restolho de tutano das ossadas.....e os rapazes passaram a mirar as imensas e suculentas nádegas de Annalice.
Propuseram à coitadinha:
_Ou o rabo ou o seu marido em coma...
Annalice optou pelo rabo, que foi destroçado pelos famintos sobreviventes que,
ao darem a última garfada, ouviram as hélices dos helicópteros de salvamento.
Após alguns meses hospitalizado Afonso recobrou seus sentidos e disse, no momento em que abriu os olhos, que queria ver sua esposa:
-Só me sentirei realmente VIVO quando beliscar o meu tesourinho....
Mas Annalice havia sumido. Fugiu em disparada ao lhe contarem o pedido de seu amado esposo.
Na madrugada do dia seguinte, uma silhueta retilínea adentrou o saguão do hospital, percorreu silenciosamente os corredores e, com um travesseiro, sufocou Afonso até a morte.
Montevidéo, Uruguai, 05 de dezembro de 1972.
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Causologia Hipotética de MedicinaLegal, de Abraham Sblowmski, ed. Ricochete - São João Nepomuceno,2005.
4°Capítulo – CRIMES PASSIONAIS
Pg 224 - Olav Jan Brundtland, 53, capitão do maior baleeiro da Frota Norueguesa, passava momentos difíceis em alto mar. As dezenas de marinheiros sob o seu comando ensaiavam um motim devido à incompetência do seu líder, que se perdera em meio a uma tempestade intermitente que castigava o navio há semanas. Os instrumentos de navegação estavam danificados e o céu, completamente coberto por uma espessa camada de nuvens carregadas, não deixava escapar o brilho de nenhuma estrela que pudesse guiá-los.
Isso tudo, aliado à deriva sexual que enfrentavam, transformava a imponente embarcação em um imenso barril de pólvora na iminência do desastre...
A situação só era contornada devido à presença heróica de Georg Thorbjørn, 34, o primeiro imediato, gay, que se refestelava com a situação, aplacando a fúria hormonal dos libidinosos vickings.
Apenas os olhos de George brilhavam em meio à escuridão tenebrosa do mar revolto.
Até que, em uma noite terrível como as outras, os navegantes avistaram a estibordo a luz inconfundível de um farol.
Na manhã seguinte, um pequeno agrupamento se dirigiu à costa em um bote, voltando depois de algumas horas com 7 mocinhas, em tenra idade, a bordo. Eram as filhas do viúvo Yoslau Garkov, responsável pelo Farol da ilha deserta de Loknhurg. Yoslau falecera a mais de um mês, deixando as suas meninas sozinhas na ilha, à espera da embarcação de suprimentos que só visitava o local de três em três meses.
Virgínia, a filha mais velha do faroleiro, tendo domínio pleno dos encargos do Farol, ocupou-se de manter a sua chama acesa.
Logo que pesaram seus pezinhos delicados nas tábuas corridas do baleeiro a tripulação incendiou-se.
Eufóricos, os Marinheiros se derreteram em agrados e mimos às donzelas, e organizaram uma pequena festa de boas vindas, com muita bebida, música e dança, onde todos se esforçaram ao máximo pra impressionar as alegríssimas visitas, que por sua vez, também estavam excitadíssimas com as másculas, e tão sonhadas, companhias.
A Tempestade laceou, deixando apenas um fino lençol de nuvens sobre o céu dos mares do Norte.
Em meio à pandega, Georg ensimesmou........entristeceu, tornou-se evasivo e acabrunhado, a par dos acontecimentos felizes, da alegria que contaminara seus companheiros...
Ao cair da noite , Brundtland, ao se dirigir ao seu camarim em companhia de Virgínia... para mostrar-lhe certas ferramentas cartográficas.... foi surpreendido pelo seu primeiro imediato, que se agarrou aos cabelos da moça e a sacudiu violentamente.
Rapidamente Georg foi imobilizado por 5 homens e levado à proa.
Os marinheiros clamaram pela prancha, mas o Capitão, homem muito justo, decidiu que a bichinha histérica teria como punição passar os dias em que estivessem ali ancorados cuidando do farol, para que não pudesse oferecer riscos à tripulação.
George foi jogado no bote e remou em direção à luz.
Ao longe ouvia os gritinhos estridentes das meninas, os urros dos rapazes, os sons irritantíssimos da festança...
Solitário, abandonado em seu exílio, Georg Thorbjørn tramou sua vingança.
Primeiro apagou a luz do farol, depois cruzou a praia e correu mata adentro até o meio da ilha.
Lá acendeu uma enorme fogueira com um dos tonéis de querosene do farol.
Hardem Bohr, 22, que fazia sentinela naquele momento, observando a luz que se tornara tão distante de uma hora para outra, reportou ao capitão o sucedido, e esse, pensando que por algum motivo - que não valeria despender tempo naquele momento – a embarcação se distanciara da costa, ordenou que alguém tomasse o manche e o manobrasse até mais perto da guia...
Assim fizeram.
Às quatro e meia daquela madrugada o baleeiro chocou -se violentamente contra as pedras da ilha, explodindo e dando cabo de toda a tripulação... e das sete mocinhas.
Depois de algumas semanas, o barco de suprimentos chegou à ilha, encontrando George atônito na praia.
O marinheiro contou toda a história em juízo e foi preso.
Vive atualmente na penitenciária de Gjanrterzan e, entre banhos de sol e o banheiro coletivo, é um rapaz muito feliz.
Ilha Loknhurg, Noruega, 14 de julho de 1979.
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